Faca com dois gumes

Pobre transporte que carrega em seu lombo as desventuras e adversidades da falta de gerência

Editorial

O que o passageiro prefere – o aumento das tarifas do transporte coletivo ou a redução da frota nas ruas? Com certeza, nenhuma das duas opções. O segmento do transporte urbano vive um momento nada favorável para que traga ao seu público algum benefício. Recentemente, mãos um reajuste do preço do óleo diesel terá como efeito negativo a continuidade das operações. O setor é responsável por realizar 43 milhões de viagens diariamente e atender principalmente passageiros de menor poder aquisitivo.

A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) está preocupada com o desfecho dos fatos e pede, junto ao Governo Federal, a adoção de medidas efetivas para a estabilização dos preços desse insumo fundamental para a economia.

Quem está ligado ao segmento do transporte coletivo sabe da pindaíba em que os sistemas se encontram. Há um empobrecimento que acompanha o lado operacional, fundamentado pela falta de políticas públicas e de Estado que contemplem a modernização dos serviços e que possam obter recursos extras para serem aplicados na modalidade. A maioria dos prefeitos não se interessam em promover investimentos na qualificação do transporte coletivo. Isso é fato. Porém, algumas prefeituras (262) tiveram a iniciativa de conceder alguma ajuda financeira para que a operação não se reduzisse drasticamente e os passageiros possam continuar se locomovendo de ônibus pelas cidades.

E como solicitar a tal modernização dos serviços, se neste momento é o da sobrevivência que impera e não o do progresso? De acordo com a NTU, não houve qualquer medida adotada nacionalmente pelo Governo Federal em resposta à crise dos transportes públicos. Poder público e empresas operadoras encontram-se, portanto, em situação crítica e vêm enfrentando desequilíbrios econômicos crescentes com os reajustes nos combustíveis.

Ainda, de acordo com a entidade representativa, há o alerta sobre os riscos de faltar ônibus para circular, caso os sucessivos aumentos de custos não sejam compensados de alguma forma. Os operadores não têm fôlego financeiro para enfrentar novos aumentos do diesel e serão obrigados a reduzir a oferta dos serviços, sob pena de falência generalizada.

Para a NTU, restam, portanto, duas opções para os governos locais evitarem a ruptura nos serviços de transporte: ou repassam os aumentos para as tarifas que remuneram os operadores, conforme os contratos vigentes em cada local – o que prejudicará diretamente a parcela mais carente da população – ou subsidiam esse reajuste. As empresas de transporte coletivo urbano não são responsáveis por esses aumentos e não têm como arcar com esses custos, informou em nota. Como se vê, o pobre passageiro será, mais uma vez, penalizado pela profunda carência de interesse de solucionar mais esta questão envolvida com o transporte coletivo.

Imagem – AutoBus

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