Subsídios e oportunidades, aos 45 minutos do segundo tempo!

É obvio que gestores públicos e empresários do setor sofrem de miopia acentuada

Por Antonio Carlos M. de Sá – Consultor em Transportes Públicos com Mestrado na COPPE/UFRJ

Todos sabem que a crise dos transportes públicos urbanos vem de longa data. A Covid-19 e a PPI da Petrobrás (Política de Preços Internacionais, em vigor desde o governo neoliberal de Michel Temer) empurraram o transporte coletivo escada abaixo!  

Sabemos que serviços muito ruins para “cidadãos periféricos”, nunca sensibilizaram os que detém o poder. Contudo, os rodoviários começaram a fazer greves em muitas localidades.

Para “evitar que a vaca fosse para o brejo”, sendo 2022 ano de eleição, muitos prefeitos trataram de propor às câmaras dos vereadores subsídios ao transporte por ônibus, algo até então muito raro no Brasil.

O futuro inesperado fez uma surpresa. Para todas e todos!

E os empresários têm algum papel a exercer? Claro que sim! A menos que estejam confortáveis e não reconheçam a enorme crise pela qual passaram.

O que cabe aos empresários que sobreviveram à crise.

Acho que os empresários deveriam fazer uma autocrítica. Identificam quem é o público habitual e quem são os concorrentes? Identificam as condições de superlotação? Na minha opinião, além dos passageiros, os operadores poderiam sugerir em quais serviços é preciso aumentar a oferta nos picos.

E por que fariam isso? Porque não têm tempo a perder para melhorar o serviço e trazer de volta quem deixou o sistema coletivo por não suportar essa situação, diariamente.

Para os empresários, viagens mais rápidas, significam frota menor. Se toda a municipalidade de alguma forma pagará pelo subsídio, por que não torná-lo mais eficiente trafegando em vias exclusivas?

Os operadores estão aguardando o que, aos 45 minutos do segundo tempo?

Nas grandes avenidas das maiores cidades há vias expressas, onde ainda não existe faixa exclusiva para ônibus.

No Rio de Janeiro, três exemplos, entre muitos: Av. Radial Oeste, Linha Vermelha e Ponte Rio – Niterói.

Alô operadores! O que está faltando? Ausência de subsídios ou ausência de prioridade ao transporte coletivo nas vias das cidades?

Finalmente, uma foto exemplar. Essa é a entrada da Rocinha, em São Conrado, Zona Sul do Rio de Janeiro. Um acesso de uma via com apenas duas pistas, uma de subida e outra de descida, muito sinuosa e com algumas curvas muito fechadas.

O congestionamento fotografado dramatiza e agrupa muitos dos atores presentes à entrada de todas as comunidades do país, onde linhas de ônibus trafegam.

No mercado da Rocinha, as linhas de ônibus enfrentam a concorrência de vans, mototáxis e deslocamento a pé. Onde a via é plana, muitas vezes também há deslocamentos importantes de bicicleta.

E qual o maior problema nessa imagem? O ônibus está vazio e não faltam passageiros nas motos ou subindo a pé! Em quase todas as comunidades é possível operar com linhas curtas de até 5 ou 7 km, ligando-as a subcentros importantes. Essas linhas têm que ter tarifas menores!

Com subsídios, manter a tarifa única é um erro estratégico colossal!

Linhas curtas, com tarifas menores, trariam passageiros que estão andando a pé e estimulariam a renovação de passageiros, caso operassem com boas frequências.

Além disso, em comunidades é comum o dinheiro ser muito restrito. Carregar um cartão eletrônico moedeiro (pré-pago) com 20 reais ou mais, é para poucos.

Empresários, de novo, vocês estão perdendo o jogo aos 45 minutos do segundo tempo!

O que cabe aos movimentos sociais?

É obvio que gestores públicos e empresários do setor sofrem de miopia acentuada. Quem sofre, ganha pouco e mora longe, precisa de mobilidade para trabalhar. E quem mora em comunidades próximas a subcentros precisa de tarifas menores para ter acesso a serviços essenciais, que também podem estar próximos.

Atenção: Nada virá de graça!

PARA TODAS E TODOS, A HORA É AGORA! 

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